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O Mundial dos guarda-redes

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11.07.2026

Os avançados continuam a decidir jogos. Harry Kane continua a marcar. Erling Haaland continua a impor-se. Lionel Messi continua a fazer história. Kylian Mbappé continua a ser decisivo. Mas, neste Mundial, há uma posição que conquistou um protagonismo invulgar: o guarda-redes.

Esta edição da prova está a confirmar algo que o futebol moderno já vinha anunciando há vários anos: os guarda-redes deixaram de ser apenas os últimos homens da equipa. Hoje são, muitas vezes, os primeiros. São os primeiros a construir. Os primeiros a organizar. Os primeiros a orientar. E, sobretudo, os primeiros a transmitir confiança. Durante a fase de grupos vimos vários erros na construção desde trás. A insistência em sair a jogar curto, característica do futebol moderno, expôs algumas equipas e mostrou que a evolução da posição também trouxe novos riscos. Ultrapassada essa fase, o torneio revelou a outra face dessa transformação.

Quando o jogo aperta, quando o adversário domina e quando as oportunidades surgem em catadupa, continua a existir uma qualidade que nenhuma ideia de jogo consegue substituir: a capacidade para defender. E foi precisamente aí que os guarda-redes voltaram a assumir o protagonismo.

Este não tem sido apenas um Mundial das grandes estrelas. Tem sido também um Mundial dos homens da baliza.

O mais interessante é que esta evolução já não pertence apenas às grandes potências do futebol. Também seleções de menor expressão competitiva apresentaram guarda-redes capazes de decidir jogos e de manter as respetivas equipas competitivas durante largos períodos. Eloy Room, por Curaçau. Mohammed Al-Owais, pela Arábia Saudita. Alireza Beiranvand, pelo Irão. E Vozinha, por Cabo Verde.

Mesmo em países onde a tradição futebolística, os recursos e as estruturas de formação continuam distantes das grandes escolas europeias, a posição evoluiu de forma notável. Muitos destes guarda-redes competem hoje em campeonatos estrangeiros, trabalham diariamente com metodologias de treino altamente especializadas e chegam às grandes competições com um nível competitivo que, há duas décadas, seria difícil de imaginar. O resultado está à vista. Jogos cada vez mais equilibrados. Equipas mais competitivas. E guarda-redes........

© A Bola