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A confusão entre gratidão e competição

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20.06.2026

ROBERTO MARTÍNEZ. Despertará sempre análises distintas, ideias opostas. Um selecionador, ainda para mais estrangeiro — pese toda a boa vontade em aprender português, cantar o hino e criar óbvia empatia mediática — será sempre sujeito ao imediato escrutínio, sabendo que, porque é de futebol que se trata, as paixões e os impulsos falarão muito alto e estabelecerão muito ruído.

Em rigor, o primeiro jogo de Portugal no Mundial das Américas não trouxe grandes surpresas, a não ser o golo madrugador de João Neves. Esse facto, aliás, projetou uma imagem errada do que podia vir a suceder.

Já não estamos no tempo da bola quadrada. O futebol, na sua componente científica e de conhecimento transversal, evoluiu de tal forma que, se Portugal conhece o Congo, à equipa africana também não faltam detalhes sobre os portugueses. Cada seleção joga o que pode e sabe, e é no aproveitamento das individualidades, dos que realmente podem fazer a diferença, distinguir um jogo e desequilibrar um resultado, que tudo se pode decidir.

Aqui, Martínez foi coerente, igual a si próprio, e não surpreendeu ninguém com as opções tomadas para o desafio de abertura da saga portuguesa do outro lado do Atlântico.

Esse terá sido o problema. Utilizar na equipa inicial Tomás Araújo e não sugerir a Rúben Neves que fizesse o lugar junto a Renato Veiga, foi um risco. Apostar num Bernardo Silva que pareceu mais com a cabeça em Madrid do que em Houston, tirou lugar a Francisco Conceição, o único que, quando lhe foi dada oportunidade, a agarrou com unhas e dentes.

E depois… Cristiano........

© A Bola