Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar
O setor da arbitragem não atravessa um bom momento.
Os episódios que têm sido conhecidos colocam os principais dirigentes da arbitragem portuguesa numa posição de manifesta fragilidade institucional.
A saída de Duarte Gomes da direção técnica nacional em junho, os factos dados a conhecer por essa altura e que estiveram na origem da decisão, o processo instaurado pelo Conselho de Justiça ao presidente do Conselho de Arbitragem e o posterior arquivamento ultrarrápido, tudo somado à investigação conduzida pelas autoridades judiciárias que tem por base mensagens escritas, áudios, entre outros elementos, projetam uma sequência de intervenções e alegadas interferências no setor da arbitragem que não devem ser reduzidas a uma simples polémica conjuntural.
Ao retomar recentemente o tema, Duarte Gomes fê-lo a propósito da decisão do Conselho de Arbitragem de extinguir a divulgação pública das avaliações dos árbitros e dos vídeo-árbitros. Entende o ex-diretor técnico nacional que, em apenas meia dúzia de meses, a política de comunicação da arbitragem passou de um exercício de transparência para um paradigma de silenciamento absoluto, classificando-o como um regresso à idade da pedra.
A crítica é contundente e suscita uma questão que merece reflexão: o que receia o atual CA que o leva a impor uma espécie de lei da rolha sobre a classificação e avaliação semanal dos profissionais da arbitragem? O anterior modelo de exposição semanal das incidências mais relevantes era considerado demasiado arrojado? Ajuste-se o formato, redefinam-se os pressupostos. Encerrar, esconder os critérios e evitar prestar informação pública relevante quanto às classificações dos profissionais não abona em favor da lisura do setor e diminui........
