Benfica: o caminho para a sustentabilidade ainda está por fazer
A entrevista de Nuno Catarino, dada no contexto de uma nova emissão de obrigações, traz um sinal positivo que deve ser reconhecido. Pela primeira vez, foi apresentado um relatório semestral do clube. É um passo importante para reforçar o acompanhamento e a participação dos sócios na vida do Benfica.
Mas, num momento em que o Benfica recorre ao mercado para reforçar a sua estrutura financeira, é ainda mais importante enquadrar o tema com responsabilidade e visão de longo prazo. O empréstimo obrigacionista enquadra-se numa lógica normal de gestão da dívida. É um instrumento habitual e, por si só, não levanta questões estruturais. Mas o debate sobre as finanças do Benfica exige mais. O presente não pode ser gerido sem um destino claro. Sim, hoje o Benfica é financiável. É bom que assim seja. Mas a verdadeira questão é sabermos se está a ser construído um modelo que torne o Benfica mais forte e vencedor daqui a cinco e dez anos. A resposta, olhando para os dados e para o enquadramento apresentado, é neste momento negativa.
Não construir as bases de um futuro a médio e longo prazo traz desafios no curto prazo. Sem um novo modelo, os problemas estruturais do Benfica tenderão a manter-se e podem agravar-se mais depressa do que se pensa. Há quem possa qualificar este receio de alarmista. Eu trabalho há décadas com números, objetivos muito ambiciosos e metas de crescimento global. Prefiro chamar-lhe realismo.
O que nos dizem os números financeiros do Benfica? Que o passivo cresce, a dívida líquida aumenta e os encargos com juros acompanham essa evolução. Mais importante ainda, as receitas operacionais continuam a ser insuficientes para cobrir........
