Seleção: de jeans e ténis no Azteca
Sem Ronaldo, Rúben, Bernardo e Leão, não foi um Portugal trajado de gala aquele pisou o palco do Golo do Século do barrilete cósmico e o magistral punchline de Carlos Alberto, com vernáculo e gestos a apontar para os céus, a pontuar a melhor sentença coletiva da história. Enquanto esses gritos ecoavam, e assim o será para sempre, no betão retocado do Azteca, via-se em campo uma Seleção cinzenta, ainda que tapada por uns trapos vermelhos que a tantos quilómetros se viam desbotados após uma primeira lavagem. Daí para Atlanta, onde pelo contrário nunca foi erguido qualquer altar aos deuses, resultado e exibição melhoraram um pouco.
Havia curiosidade de perceber se alguns jogadores se chegariam à frente, e talvez aí tenha Trincão ficado a apontar para o golo que marcou. A definição do jogador do Sporting ficou patente, falta-lhe contudo o tricotar do extremo que vai chegar ao Mundial já sem contrato com o Manchester City e provavelmente com outro patrão. Terá o leão ganhado o lugar? Arrisco que não, porque na projeção daquilo que Portugal quer ser com o espanhol ao leme, assumindo bola e controlo do jogo, não restam grandes dúvidas de que Bernardo faz parte do plano.
Pior estiveram Ramos, a atravessar mau momento em termos de confiança, e um desastrado e emocionalmente frágil — imagem que teima em não conseguir diluir, sobretudo quando a exigência cresce — Inácio. Razão esta suficiente para Tomás Araújo reivindicar mais atenção, precisando de ter aí a cumplicidade de Mourinho a sustentar a sua afirmação primeiro na Luz e, consequentemente, na Cidade do Futebol.
Numa das muitas conversas........
