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Quando o futebol vence… e ninguém repara

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25.04.2026

O escritor espanhol Javier Marías, adepto confesso do Real Madrid, escreveu em Selvagens e Sentimentais que o futebol é a recuperação semanal da infância. E talvez seja essa a definição mais bonita do jogo. Porque não há nada mais raro do que ver homens adultos regressarem, por instantes, à pureza dos seus primeiros encantos. Sem cinismo, sem ruído, sem contas antigas por ajustar. Apenas a alegria simples de jogar e de sentir. O último dérbi de Alvalade foi tudo isso para quem ainda consegue ver o futebol com olhos limpos. Um regresso breve a um tempo em que o jogo bastava.

Sporting e Benfica entraram em campo com urgências diferentes, mas com a mesma obrigação. Ganhar. O Sporting agarrado ao último fio de esperança pelo título. O Benfica a perseguir a dignidade competitiva, e um possível acesso à Champions, de um segundo lugar. E quando duas equipas sabem que o empate não lhes serve, o jogo ganha uma honestidade rara. Foi isso que vimos. Um duelo sem rede, de parada e resposta, onde cada ataque parecia uma promessa e cada defesa uma resistência.

Antes do apito inicial, falava-se de João Pinheiro. Não pelas melhores razões. Uma época irregular, erros acumulados, desconfiança instalada. Um árbitro que vai representar Portugal num Mundial, algo que não acontece desde 2014, mas que chegava a este jogo a realizar uma das suas piores épocas tanto no plano interno como a nível internacional. E, no entanto, talvez por ironia ou justiça, fez aquilo........

© A Bola