Do que é que tu estás à espera?
Um, dois, três, começa a história: uma criança portuguesa sem ver o seu país nos grandes torneios. A criança que via os Mundiais como lugares distantes, reservados a países que apareciam nos cromos. Essa criança teve de pedir heróis emprestados.
No México 1986, torceu por Maradona. Como não torcer? Maradona sabia a passagem secreta do jogo. Um caminho só dele. Depois, noutros Mundiais, a criança sofreu por Baggio. Pela elegância, pelo cabelo, pelo budismo em forma de futebol. E também se apaixonou por Romário e o seu samba de finta curta, só de um acorde, que parecia uma sinfonia. Os heróis mudavam. A ausência ficava.
Entre 1986 e 1996, uma infância inteira passou sem Portugal numa fase final. Hoje, quando a qualificação parece um direito adquirido, é difícil explicar o que isso significava. Não havia indignação. Havia resignação. O país não perguntava até onde podia chegar. Perguntava quando voltaria a aparecer.
Entretanto, a criança tornou-se adolescente. E começou a acreditar. A Geração de Ouro trouxe uma promessa que era maior do que os resultados. Figo, Rui Costa, João Pinto. Nomes portugueses, nomes grandes. Admirados pelos outros. E como nós, na nossa pequenez disfarçada de arrogância, gostamos de saber o que os outros pensam sobre quem somos. Se temos a melhor praia, o melhor restaurante, o melhor miradouro, o melhor tudo e........
