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O estofo do campeão

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08.04.2026

Foi José Maria Pedroto que cunhou, há mais de 50 anos, a expressão «estofo de campeão». Queria ele dizer, na minha modesta interpretação, que uma grande equipa nunca é apenas um grupo de jogadores, por muito talentosos que sejam, nem o seu sucesso reside unicamente nas capacidades táticas de um treinador sagaz.

O estofo de campeão resume-se, na verdade, a uma palavra: superação.

Claro está que atrás desta palavra — superação — vêm muitas outras, quais molas e alavancas que projetam a vontade de ultrapassar todos os obstáculos e a capacidade real de os deixar para trás.

Dizia Arsène Wenger, histórico treinador do Arsenal de Londres, que, para ganhar, uma equipa não pode ter medo de falhar. Faz sentido. Uma equipa que vai a jogo com medo de falhar ou de perder está condicionada, está embotada, está bloqueada na sua criatividade e na sua capacidade de superação. Falta-lhe arrojo, ambição, atrevimento. E confiança, muita confiança. Tudo é medido e cada decisão é asfixiada pelo pânico do erro e do insucesso. Numa equipa de futebol, o medo de falhar é fatal.

Pelo contrário, a coragem de arriscar dá energia, qualifica o gesto e apura a decisão. O estofo de campeão é isto: coragem, atrevimento, ousadia, risco e uma infinita vontade de vencer.

O FC Porto de Francesco Farioli ainda precisa de provar em campo que tem estofo de campeão. Faltam seis jogos e 16 pontos para demonstrarmos que merecemos ser campeões. Cada jogo vai ser um momento da verdade, um momento que define se temos ou não temos tudo o que é necessário para superar sem medos os adversários. Quaisquer adversários, a começar pelos nossos próprios fantasmas.

A próxima final é no Estoril, um jogo com uma carga simbólica e histórica de arrepiar.

Depois de um mês de março bem superado, tropeçámos no arranque de um mês de abril muito carregado e........

© A Bola