Benfica: quando a fé substitui as competências
No futebol, as vitórias têm sempre muitos pais. As derrotas, pelo contrário, precisam rapidamente de culpados. O Benfica vive hoje exatamente esse momento. Depois de mais uma época dececionante, a contestação instalou-se e Rui Costa passou a ser o principal alvo das críticas. Reduzir o problema do Benfica apenas ao presidente talvez seja a forma mais simples e mais confortável de olhar para a realidade.
O momento do clube e as escolhas dos sócios
Perante um conjunto de sinais, financeiros, estratégicos, organizacionais, de transparência e até identitários, importa regressar à pergunta central: por que razão voltaram os sócios a confiar este mandato a Rui Costa? Desde logo, no plano financeiro, a SAD tem vindo a revelar uma tendência preocupante: um aumento constante de custos fixos sem o devido acompanhamento de receitas fixas. Isto faz com que o clube esteja cada vez mais exposto à dívida e a rendimentos variáveis, nem sempre previsíveis ou sustentáveis.
Esta realidade aumenta a vulnerabilidade financeira e reduz a margem de decisão desportiva. Um clube desta dimensão não pode viver numa lógica permanente de incerteza. Na prática, o equilíbrio das contas tem passado com frequência pela venda de jogadores. Nos últimos anos, essa necessidade tem sido crescente, o que aumenta a rotatividade do plantel e dificulta a construção de estabilidade desportiva e, consequentemente, a obtenção de sucesso.
Depois, no plano da visão estratégica, surgem decisões difíceis........
